Importância Científica

  A passagem de Peter Lund e sua vida dedicada aos estudos da megafauna brasileira do qual se destaca como pioneiro, marcou para sempre a história de Lagoa Santa assim como colocou a cidade mineira no cenário das pesquisas científicas no mundo. Neste momento, paleontologia e arqueologia ainda se encontravam entrelaçadas. Durante o século XIX, Peter Lund escavou centenas de grutas calcáreas entre Lagoa Santa e Cordisburgo. Lund encontrou e identificou numerosas espécies de animais até então desconhecidos, entre eles o trigre dente de sabre, a preguiça gigante, o tatu gigante e o cavalo americano.

Foi na Gruta do Sumidouro em 1843 que Peter Wihlmenn Lund fez um de seus mais importantes achados. Ossos humanos misturados com restos de animais extintos. Após estudos de seus aspectos e grau de mineralização de todos os restos misturados, Peter concluiu que apresentavam as mesmas características e que portanto poderiam ter a mesma idade. Foi ele que sugeriu pela primeira vez que o homem poderia ter coexistido com estes animais, contrariando a idéia generalizada no meio científico daquele momento. Foi somente na segunda metade do século XX, que sua hipótese a princípio nem mesmo levada a sério, pôde ser confirmada.

      Com a morte de Peter Lund, em finais do século XIX, as pesquisas na região ficaram praticamente relegadas a segundo plano. Apesar de algumas poucas e pequenas expedições em busca de confirmações da hipótese de Lund. Muitas destas expedições foram importantes para manter acesa a chama da ciência, mas foram coordenadas de maneira amadora não chegando a grandes conclusões.

Luzia e o Homem de Lagoa Santa

  P.W Lund, apesar de nunca mais ter deixado as margens da Lagoa Santa, manteve uma intensa correspondência com importantes naturalistas de sua época. Entre eles o fundador da paleontogia G. Cuvier, o Botânico alemão Ridel, Agassiz, Richard Burton, Busmeister. Destaca-se entretanto o joven Eugen Warming, botânico dinamarques, que aos 21 anos foi enviado para assistir Peter Lund após a morte de seu fiel amigo e assistente o desenhista norueguês André Brandt. Warming chegou em Lagoa Santa em 1863 tendo aqui permanecido por três anos, seus estudos e observações de fauna e flora deram origem ao livro “Lagoa Santa- Contribuição para a Geographia Phytobiológica”, considerado o primeiro livro de ecologia publicado no mundo, criando assim a nova ciência, hoje muito importante e valorizada.

 

      Após o fim da segunda guerra mundial o mundo precisa ser reconstruído e é preciso buscar respostas para muitas perguntas que foram interrompidas pelas turbulências da primeira metade do século XX. Em Lagoa Santa retomam– se as pesquisas científicas em colaboração internacional e em 1975 uma expedição franco brasileira após alguns anos de escavações na região da Lapa Vermelha, descobre os ossos de uma mulher jovem: lhe deram o nome de Luzia.

 

Esta moça parece ter morrido acidentalmente; seu corpo apodreceu insepulto e os ossos foram levados para o abrigo pelas águas de enxurrada, espalhando-se antes de depositar-se há cerca de 11 mil anos ao longo do declive...trata-se do mais antigo esqueleto datado das américas...” André Prous

 

   Luzia ficou famosa e levou à importantes questionamentos sobre a evolução e dispersão do homem sobre a terra. Seus traços reconstituídos não se assemelhavam ao índio sul americano atual, mas muito semelhantes à certas populações africanas e aborígenes australianos. A descoberta de Luzia e diversas outras ossadas deu origem ao termo científico “Homem de Lagoa Santa” e levou a uma revisão na cronologia da chegada do homem nas américas.

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Arte Rupestre

     A região é rica em pinturas, grafismos e incisões rupestres sendo os mais antigos datados com mais de 7.000 anos. Interessante constatar que a partir desta data não se encontram muitos registros esqueletais e os abrigos até então utilizados como cemitérios e estadias sazonais pelos “Homens de Lagoa Santa” aparentemente deixam de ser usados.  Entretanto verifica-se uma nova ocupação de abrigos rochosos situados em pontos de água onde foram gravados enormes murais representando cenas de caça, celebração, partos e etc. O povo de Luzia ainda sobrevivia ou a introdução da arte rupestre corresponde ao desaparecimento físico desta população e sua substituição por novos imigrantes?

 

    Esta pergunta é uma das poucas que parecem estar próximas de terem uma resposta. Em 2012 quando estava prestes a encerrar seus trabalhos de campo na Lapa do Santo, o arqueólogo Walter Neves descobriu um bloco pintado com uma forma humana. Por golpe de sorte a gravura foi achada a 3 cms abaixo de uma fogueira e o carvão desta fogueira pode ser datado com idade mínima de 10,5 mil anos, consequentemente a pintura tem mais ou menos a mesma idade. Acontece que pintura rupestre com datação absoluta tão aproximada são muito raras. Esta pequena descoberta derruba a tese que até então acreditava-se onde os grafismos teriam se iniciado `a apenas 7 mil anos. Muitas perguntas ainda carecem de novas pesquisas e da conclusão de trabalhos que hoje se encontram em mãos de arqueólogos da UFMG e da USP. Muitos sítios arqueológicos não foram nem sequer estudados e muitas pinturas ainda necessitam de datação. Acredita-se que novas descobertas, a conclusão de estudos em andamento e as lapas de Lagoa Santa poderão mais uma vez contribuir para o entendimento da evolução do homem na terra.

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